[Vitor Balenciano, in “Ípsilon”, 14 Jan 21]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
(palavras e imagens do rio da minha aldeia, que por um mero acaso, também é o melhor rio do mundo...)
[Vitor Balenciano, in “Ípsilon”, 14 Jan 21]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
[Margarida
Davim, “Visão”, 12 Set 25]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
[Manuel Mendes, in "Colóquio Artes e Letras", Maio de 1962]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
«A mesma luz branca de Lisboa imortalizada pelo realizador suíço Alain Tanner continua a banhar a cidade, reflectida pelo rio e espelhada no seu casario. Se hoje chegasse a Portugal o marinheiro, personagem principal do filme de Tanner, talvez ainda fosse vítima de roubo e agressão e com um pouco de sorte encontraria Rita a criada de quarto com um diamante negro entre as pernas e viveria as mais belas cenas eróticas da sua paragem na cidade branca.
Lisboa na vertente luminosa não mudou. Mas
alterou e muito a sua componente sociológica e tornou-se uma cidade mais
caótica e desregulada que a Lisboa de Tanner dos anos 80 do século passado.
Quem vive em Lisboa, ou quem a visita e a
percorre de carro ou a atravessa a pé, nota as diferenças com bastante
facilidade. Entram, diariamente, cerca de 400 mil carros que se juntam aos 200
mil que existem na capital.»
[António
Capinha, “D. Notícias”, 07 Mar 25]
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
[José Paulo Vieira, "Visão (sete)", 30 Mar 99]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
«Não sentes o cheiro a maresia? O Tejo, pois minha flor, cantado por poetas e
vagabundos, marginais e aventureiros, que, afinal, são uma e a mesma pessoa.
Milagres? Só o santo, querida! O Sant ‘Antoninho que também protegia os
namorados, repara como ele está bonito e bem humano, nesse altar ingénuo.»
[Eduardo
Guerra Carneiro, “Sete”, 20 Jun 79]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
[Eduardo Guerra Carneiro, “Sete”, 20 Jun 79]
[José Sarmento de Matos, in "E (Expresso)", 6 de Maio de 2017]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
[Ana Soromenho, "Expresso", 18 de Agosto de 2023]
(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)
Este texto, talvez demasiado adjectivado, é de Pedro Cativelos, de um pedaço de uma entrevista/perfil feita a Camané e publicada na "Pública", a 20 de Abril de 2008.
Tem Tejo, tem gente e tem fado...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
«E o Tejo? É uma
estátua descomunal. No outro dia vinha num barco e vi um milhão de janelas e
pensei assim: “Meu Deus, eu nunca consegui ter assim uma janela para esse
monumento que é o Tejo…”.»
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
«Durante milhões de anos, o Tejo
foi “a mão construtora desta paisagem”, definia momentos antes
Filipa Almeida, arquitecta paisagista e apicultora, uma das nossas principais
cicerones nesta viagem pelas terras da Beira Baixa. A cordilheira onde nos
situamos foi formada há cerca de 600 milhões de anos, rompendo o horizonte numa
crista quartzítica crispada. Durante anos e anos, as águas do Tejo foram
pacientemente escavando a base da serra das Talhadas, feita de xisto, uma pedra
menos dura que o quartzo, no topo. A erosão provocada pela acção do rio
acabaria por rasgar uma cascata e, mais tarde, abrir uma passagem que se foi,
entretanto, alargando: as Portas de Ródão, classificadas como monumento natural
desde 2009.»
[Mara Gonçalves, "Fugas (Público)", 15 Nov 19]
(Fotografia de Luís Eme - Vila Velha de Rodão)
O facto de ter nascido e crescido na Bica, quase com o Tejo no final da rua, fez com que se deliciasse desde muito cedo com as mil e uma tonalidades que o Rio lhe oferecia, espelhando um céu, quase sempre azul...
Depois do casamento foi viver para as Avenidas Novas mas nunca deixou a Velha Lisboa, que amou e cantou com a cumplicidade dos nossos melhores poetas.
Deixamos aqui três testemunhos do seu amor pela Cidade e pelo Rio:
«Eu tenho um olhar muito romântico sobre a cidade, e os
olhares românticos são incuráveis, completamente incurável. E as mazelas e os
seus defeitos, não é que os esconda, não lhes dou importância que provoquem
infelicidade, sabe? Lisboa tem coisas tão boas, que eu deixo que no campeonato
ela fique esses pontos todos à frente das coisas que estão mal feitas.»
«Lisboa é uma cidade sui generis. Há que ter apreço pelo trabalho de quem foi pondo a população virada para o rio, porque vivemos anos nesta coisa sombria, de costas para o Tejo. Isto deu luz à cidade. E o português é acolhedor, sem ser servil. Deixe-me circunscrever à minha cidade, sendo eu bairrista. Mas Lisboa tem uma luz imbatível. As pessoas ficam desvairadas. Os miradouros, os bairros antigos que são o pulsar de uma história de quase 900 anos. E tem uma autenticidade…»
«Durante muitos anos o Tejo foi-nos vedado. Hoje há casais a passear com as crianças à beira-rio. De cada vez que vou a uma esplanada junto ao Tejo penso que sou um privilegiado por viver numa cidade com este rio e com esta luz.»
Nota: Frases retiradas de entrevistas publicadas do Diário de Notícias de 9 de Setembro de 2016; Notícias Magazine” de 23 de Julho de 2014 e “Tabú (Sol)” de 4 de Outubro de 2008.
(Fotografia de Luís Eme - Tejo e Lisboa)
Numa entrevista ele falou do Tejo, numa situação muito especial (pelo lugar e pelo tempo que se vivia...), que transcrevo com a devida vénia:
«A única vez em que estive na [Rua]
António Maria Cardoso [sede da PIDE], no famoso terceiro andar, um andar de más
recordações para muita gente, estava um dia maravilhoso. Eu olhava o Tejo e
lembrava-me de um verso do Pessoa (já naquela altura). Vem um rapaz: “Ó Sr.
Dr., está em França. Não me pode arranjar lá um emprego?”. Isto não se
acredita. “Ó homem, você está aqui tão bem... Vão ao cinema e andam nos carros
eléctricos de borla.” Um bocado cínico da minha parte... Mas aquilo não era uma
brincadeira. Muita gente pagou caramente, eram militantes a sério.»
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)