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terça-feira, 7 de setembro de 2021

"Lisboa"...


Lisboa

Esta névoa sobre a cidade, o rio,
as gaivotas doutros dias, barcos, gente
apressada ou com o tempo todo para perder,
esta névoa onde começa a luz de Lisboa, 
rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água, 
nada mais quero de degrau em degrau.

Eugénio de Andrade

["Lisboa com os seus Poetas - Colectânea de Poesia sobre Lisboa"]


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, 30 de novembro de 2019

"Outra Vez o Tejo"


O poeta Eugénio de Andrade também se encantou com o Tejo...

Outra Vez o Tejo
  
Um barco atravessa o Tejo.
Vem da infância, não sei para onde vai.
É branco, dessa brancura só dada
às aves. O rio,
que não via há tanto tempo,
entra agora pelas ruas de Lisboa
ao encontro da tão amada
luz dos jacarandás.
Volto a ter oito anos neste jardim,
vou perder-me nestas ruas,
nestas calçadas, onde o grito
das gaivotas sobe a prumo,
vou correr com o vento de esquina
em esquina, subir
com as árvores, ser
com elas poeira fina.

[Eugénio de Andrade]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)