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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

"Gaivotas em Terra…"


Começa a ser comum ver gaivotas em terra por aqui.

Mesmo quando não há sinais de "tempestade"...
Isto não acontece apenas devido à proximidade do Tejo ou do Atlântico.
Aliás, eles estão aqui, desde sempre.
Até parece que as gaivotas estão a querer fazer parte da paisagem diária de Almada...



[Luís Alves Milheiro, in “Largo da Memoria”, 18 Dec 13]


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, 9 de maio de 2025

"Mais Perto do Tejo"


 
"Mais Perto do Tejo"

Mais perto do Tejo
há palavras que tocam
o sossego dos lábios
para dizer o sul da mágua
no voo convergente das gaivotas
quando os barcos se abrem
ao argumento ondulado das marés

Graça Pires

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)



sábado, 5 de abril de 2025

Gaivotas



Gaivotas

Da lama voam
e o Tejo não é
espelho d'asas

entram nas casas
e os gritos magoam

José Correia Tavares


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)



terça-feira, 19 de maio de 2020

«Porque me chamam Gaivota?»


Maria Rosa Colaço em 1982 publicou um conto sobre o "Gaivota", com o mesmo título. "Gaivota" era um rapazola de Cacilhas, que cresceu paredes meias com o Tejo. Deixo aqui uma pequena transcrição, onde ele esboça a sua "história de vida"...

«[...] Porque me chamam "Gaivota"?
Está mesmo a ver-se... Tenho passado entre os barcos e o Tejo, em cima deste paredão, correndo e escorregando nestas pedras húmidas, mais de metade da minha vida: às vezes, até a pele me sabe a sal.
Ando nisto desde que o meu pai morreu; ajudo um e outro, vendo jornais, pensos, aprendo bocados de palavras de outras terras; invento ruas de outros países quando vejo os estrangeiros de cabelos amarelos e  dinheiro nos bolsos, a comer camarão e lagosta: vivo!
Como tenho a mania de andar em cima desta parede, de asas abertas, como as gaivotas, um dia começaram a chamar-me "Gaivota" e "Gaivota" fiquei. O meu nome é Alfredo. Mas isso não interessa porque ninguém o sabe e Gaivota, afinal, é o que eu queria ser. De verdade, pois! Asinhas a dar-a-dar; peixinho fresco e, lá em cima, lá em cima no vento, no azul, avião-sem-motor, namorado das ondas, sol morno nas costas, dono do Tejo, dono de mim, bicho livre! [...]»

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Tela Portuguesa



[...] «Já não me reconheço na criança que às vezes vinha de Moura e atravessava o grande rio, de olhos deslumbrados, entre gaivotas e navios descomunais, e desembarcava no Terreiro do Paço, todo simétrico na sua verde harmonia palaciana.» [...]


[Urbano Tavares Rodrigues, in “Tela Portuguesa”]


(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O Cacilheiro e a Gaivota...


«[...] O cacilheiro no Tejo, é assim, diariamente, a estrada possível das outras viagens que nunca faremos. Nele começam e acabam as asas e as barbatanas de luz que séculos de adaptação à vida nos têm roubado.
É então que na manhã alada, o acordeão do cego nos devolve o eco da alegria possível.
Por entre pés, cestas, jornais, indiferença e alguns ouvidos atentos, vai o cego acordeando os fados da sua memória, deixando nas vigias algumas palavras de amor; quanto baste de saudade e as raivas, breves do nosso fado português,
Às vezes vou aqui, na amurada do cacilheiro; olho as gaivotas que pairam, voo rasteirinho, voo picado, voo maluco e penso, Liberdade é isto: ser gaivota branca.
Gaivota do Tejo. [...]»

                                              [Maria Rosa Colaço, in Almada, uma gaivota no vento"]

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)