Mostrar mensagens com a etiqueta blogosfera. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta blogosfera. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de junho de 2026

"E o Tejo fica assim..."



E o Tejo fica assim...

Parecem grades, mas não o são, 
muito menos pilares.
É apenas um gradeamento de protecção, 
para todos aqueles que têm vontade voar
quando se aproximam de qualquer "abismo"...

E o Tejo fica assim, 
depois de uma noite ventosa,
em que as suas águas se transvestem de Mar, com ondas...

Agora está calmo, quase chão,
onde apetece caminhar por cima,
como se não passasse de uma bonita estrada azul...

[Luís Alves Milheiro, in "Largo da Memória"]


(Fotografia de Luis Eme - Tejo)


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

"Gaivotas em Terra…"


Começa a ser comum ver gaivotas em terra por aqui.

Mesmo quando não há sinais de "tempestade"...
Isto não acontece apenas devido à proximidade do Tejo ou do Atlântico.
Aliás, eles estão aqui, desde sempre.
Até parece que as gaivotas estão a querer fazer parte da paisagem diária de Almada...



[Luís Alves Milheiro, in “Largo da Memoria”, 18 Dec 13]


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

"As noites calmas..."


Há noites assim, calmas e solitárias.
Parece que está tudo a dormir e que a noite nos pertence, completamente...
Estava ali, sentado, à beira rio, à espera de ti e do cacilheiro que te transportava para a nossa Margem, quase sem pensar em nada, além do Tejo e da Lua.
Foi então que, sem nenhuma razão aparente, lembrei-me que na infância os dias são quase infinitos, temos tempo para fazer tudo.


[Luís Alves Milheiro, In “Largo da Memoria”, 21 Mai 13]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

sábado, 22 de novembro de 2025

"No tempo em que éramos quase pobres..."


«No tempo em que éramos quase pobres, tinha poucos amigos da minha idade com carro.
Aos vinte e muitos poucos anos recordo que boa parte dos amigos da "borga", com quem me aventurava na noite, eram todos ligeiramente mais velhos que eu.
Estou a falar da primeira metade dos anos oitenta. Há quase trinta anos...
Dentro da noite, conhecíamos algumas mulheres, quase "aves nocturnas", que também escolhiam a quinta-feira como espaço de diversão, escapando às enchentes do fim de semana.
Como ninguém tinha carro e gostávamos mais de gastar dinheiro em cerveja que em táxis, esperávamos quase sempre pelo primeiro barco da manhã.
Nem sempre estávamos em bom estado, mas como éramos jovens, não custava nada fazer uma directa. O quase ligeiro peso dos olhos era coisa pouca, mesmo quando com mais uns "quilos" depois do almoço...
Esperávamos muitas vezes o barco à beira-mar, a olhar o rio com a neblina matinal, quase sempre divertidos e sem esperar que aparecesse ele rei dom Sebastião.»

[Luís Alves Milheiro, in "Largo da Memoria”, 16 Dec 11]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


domingo, 28 de julho de 2024

"O Tejo quando ainda tinha fragatas..."

 

«O Tejo quando ainda tinha fragatas a passearem-se pelas águas e voavam golfinhos a caminho da Barra.
O José Quitério a falar dos prazeres de uma caldeirada, à fragateiro, na “Floresta do Ginjal”, com fragatas a entrarem-lhe pelos olhos dentro.
O grito das gaivotas, o vai-vem dos cacilheiros, um estado de espírito ondulado.
Esta fotografia deslavada foi tirada com um caixote-kodak,  a minha primeira máquina fotográfica, prenda, pelos meus 15 anos, do António Colaço.
Memórias doces e afáveis.»
 
[Sammy, in “Cais do Olhar”]


(Fotografia e texto publicados no blogue "Cais do Olhar", a 11 de Janeiro de 2011)


quinta-feira, 29 de junho de 2023

Quando o vento sopra e acorda os sentidos...

 


Tudo começou de manhã, cedo. 

Acordei com o seu sopro forte, que poderia muito bem ser um rugido. O Vento era mais uma vez, o porta-voz da natureza, e dizia que podia quase muito.

E durante o dia fez-nos o favor de ir varrendo a tal nuvem gigante que chegou do Canadá, cujos vestígios dos incêndios pintaram o céu de um amarelo quase acinzentado. Durante a tarde olhei para o espaço e da janela do lado sul já se via o azul, ao contrário da janela norte (curiosamente, virada para o rio).

O melhor estava reservado para a noite. A Lua voltou, tal como as Estrelas, que são possíveis de avistar da minha janela com toda a nitidez, graças à largueza Tejo.

Até apetece dizer que o melhor "Rio do Mundo" faz com que quase tudo seja possível ao olhar...

[texto de Luís Milheiro, publicado no "Largo da Memória]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


sábado, 22 de maio de 2021

"Desta Janela"


Ainda com o Tejo dentro do "Casario do Ginjal", mais uma espécie de poema:


Desta Janela
 
Desta Janela
Com Vista Para o Ginjal
Posso ver
a beleza do Tejo
o verde das encostas
e claro
o Casario do Ginjal...
 
Luís (Alves) Milheiro


Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, 9 de maio de 2021

"Além das Pedras, Temos o Rio" (um começo...)


No final de Maio de 2006 criei o meu primeiro blogue, que ainda continua a resistir ao tempo - o "Casario do Ginjal".

Como escrevi no seu subtítulo: "nasceu como um espaço de opinião, informação e divulgação de tudo aquilo que vivia ou sobrevivia nas proximidades do Ginjal e do Tejo, mas foi alargando os horizontes...

O mais curioso foi eu perceber que ele estava mesmo "cheio de Tejo", nos primeiros textos que publiquei (fui ler e gostei...). É por isso que durante este Maio de 2021, quinze anos depois deste começo, vou republicar essas prosas poéticas e poesias prosaicas. 

Começo com as primeiras palavras:


Além das Pedras, Temos o Rio…
 
 
Além das pedras e do entulho amontuado,
(nesta margem esquerda)
sinais vulgares de abandono,
temos o Rio,
esse mesmo, (único)
o Tejo...
 
é ele que dá vida a este meu casario,
do Ginjal...
 
[Luís (Alves) Milheiro]


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal-Tejo)


terça-feira, 31 de março de 2020

"Vai ao Encontro do Rio"


Aceitei o "desafio" da Maria Rosário Pedreira, das "Horas Extraordinárias" e fiz quase um fado, na tentativa de ilustrar estes dias, ao mesmo tempo que procuro homenagear todos os funcionários de hospitais e centros de saúde (especialmente médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem)...


Vai ao Encontro do Rio

Vai ao encontro do rio
Que lhe dá a ilusão de ser mar
Sem medo das nuvens e do frio
Para ficar ali, parado, a olhar

Não consegue despir a dor
Após mais um dia passado
Nos corredores do terror
Que o deixam tão arrasado

Parece um autómato a andar
Pelas ruas da cidade que ama
Sem ter tempo para sonhar.
Até que alguém o chama

Um polícia faz-lhe sinal.
É para desaparecer
Como se fosse ele o mal
Que está a deitar tudo a perder

O agente nem sequer sonha
Que ele é um simples enfermeiro
Que fura esta Lisboa tristonha
Antes de apanhar o cacilheiro

Vai apenas ao encontro do rio
Que lhe dá a ilusão de ser mar
Sem medo das nuvens e do frio
Para ficar ali, parado, a olhar
  
Luís (Alves) Milheiro


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Olhas o Rio...


Já tinha falado na hipótese de criar mais um blogue, que tivesse como principal temática o Tejo, no "Largo".

Esta minha ideia deve-se à beleza do "Rio da Minha Aldeia", e também ao facto de ser o pano de fundo da maior parte das minhas fotografias.

Aliás, este blogue será também de fotografia (em princípio exclusivamente das minhas fotografias...). Fotografias essas que serão acompanhadas com transcrições de poemas e parágrafos de livros, que se inspiram no Tejo, da minha autoria e também de outros autores...

Abro este blogue com um poema meu, que de alguma forma se aproxima do título do blogue e se pode generalizar, ainda que tenha sido escrito em homenagem a Alexandre Castanheira, um escritor almadense, resistente antifascista, que foi um bom amigo...


Olhas o Rio

Olhas o rio com ternura,
Sentado, junto ao cais...

Foi daqui que partiste,
Para uma viagem
Quase sem destino...

Depois foram anos de luta,
Quase sempre “escondido”
No porão da barca vermelha
Que navegava de terra em terra,
Em busca da Liberdade sonhada...

Olhas o rio com saudade,
Sentado, junto ao cais...

Foi daqui que partiste...

[Luís Alves Milheiro]


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)