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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

"Sempre o Tempo"


Sempre o Tempo

O Tejo continua igual.
Nós é que estamos diferentes.
Não me vou desculpar com o tempo,
mesmo que ele, simpático,
deixe que o usem para tudo.

Talvez hoje seja mais fotografado.
É estranho, pode ser mais guardado
mas é olhado com menos intensidade, 
por menos tempo e com menos contemplação.

Pois é,
lá volta ele,
sempre o tempo...

[Luís (Alves) Milheiro]

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, 30 de abril de 2021

"Cravos Caídos"


Cravos Caídos
 
CRAVOS CAÍDOS
na praia que foi de pobres e vagabundos
quase sempre abandonados e esquecidos
em todas as “guerras dos mundos”…
 
CRAVOS CAÍDOS
na praia que foi das lavadeiras
que presas os seus trabalhos doridos
passaram por ali as vidas inteiras.

[Luís (Alves) Milheiro]
 
Este poema e esta fotografia fizeram parte da exposição, "Cravos de Abril, fotografias com palavras", de Abril de 2014, na comemoração dos 40 anos da Revolução de Abril.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
 
 

domingo, 31 de maio de 2020

"O Fotógrafo da Névoa"


Mais uma homenagem  ao meu amigo, Fernando Barão, que nos deixou na passada segunda-feira, com um poema onde me inspiro no amante da fotografia, que adorava tirar retratos em dias com nevoeiro...
              
                                                                      (ao Fernando Barão)



O Fotógrafo da Névoa

Quando ouve a ronca do Farol
sente que o chamam no cais
para tirar retratos sem Sol
de belas paisagens fluviais

Prepara tudo com cuidado
a "kodak" é uma caixa de surpresas
que às vezes o deixa abismado
por o deixar fixar tantas belezas

A sua Isabel fica ao balcão
ele lá vai, atrás do nevoeiro
movido pela sua outra paixão.

Quem o olha, ali rente ao rio
ignora aquele artista de corpo inteiro
capaz de arrancar beleza até do vazio.

[Luís (Alves) Milheiro]


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, 25 de abril de 2020

"Muito Tejo"


Porque hoje é mais Abril que ontem, mais um poema e uma imagem da minha exposição, "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras"...

Muito Tejo

Esta podia ser
a barca de "MUITO TEJO"
que o poeta Ary popularizou
entre muitos poemas e canções
como as "Portas que Abril Abriu"
um hino de todas as revoluções...


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quarta-feira, 3 de julho de 2019

"A Ponte é uma Miragem"


Hoje volto a "casa"...

[...]
olhar que se cruza
com um Rio de “visões”
tanto a norte como a sul
e que se deixa levar
em todas as direcções

sentidos explorados
pelo som que se confunde com o vento
de um tabuleiro povoado de carros
suspenso pelos cabos do tempo

sentidos encantados
pelas cores de um Tejo radiante
que pinta toda a paisagem
de uma forma contagiante
e transforma a ponte na tal miragem


[Luís Alves Milheiro, in "A Ponte é uma Miragem" - catálogo de exposição]


(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, 28 de março de 2019

O gozo de quem "lava os olhos naquelas águas"...


Eis a satisfação (ou o gozo, para sermos mais precisos...) de António Alçada Baptista, 

[...]
«Aqui na Bica tenho o Tejo à janela e o elevador à porta. Ter uma janela com o Tejo à frente é um gozo porque a gente, logo pela manhã, lava o olhar naquelas águas e vê passar os cacilheiros.»
[...]

[António Alçada Baptista, in "O Mistério de Lisboa"]

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, 5 de março de 2019

O Tejo, ao Anoitecer...



Cesário Verde, é um poeta de Lisboa. De toda a Lisboa, também da ribeirinha...


Nas nossa ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
[...]


[Cesário Verde, poema "Avé-Maria" de O Sentimento de um Ocidental"]

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Memória de Lisboa...


Descobri há pouco tempo o álbum, "Memória de Lisboa", de Rómulo de Carvalho, o outro lado do poeta António Gedeão, cuja obra nos desvenda o muito que  escreveu e fotografou sobre a sua Cidade.

Naturalmente, o Tejo aparece em muitas das suas páginas...

«[...] A face sul do Terreiro do Paço, voltada para o Tejo, é lugar de peregrinação do povo de Lisboa atraído pelo movimento das ondas. A toda a hora, de manhã, de tarde ou à noite, com a gola levantada ou em mangas de camisa, ali se encosta ao paredão a melancolia portuguesa.[...]»


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O Tejo e o Neo-realismo...


Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes, escritores neo-realistas, que cresceram e viveram à beira do Tejo, em Vila Franca de Xira e Alhandra, escreveram várias obras que homenageiam as gentes do Rio. 

Os belos romances, "Avieiros" e "Esteiros", são um bom exemplo do que acabamos de dizer, pelo que transcrevemos, com a devida vénia, duas frases curtas, mas de grande simbolismo: 

«[...] Os velhos falavam num Tejo que fora um jardim de peixes; e diziam que andavam todos a pagar o pecado das guerras e das artes modernas de pescar. [...]» (Avieiros)

«[...] Quando o Tejo passa, algo acontece sempre, porque um rio tem as suas glórias e os seus dramas como os homens. Um rio vive, respira, trabalha, constrói e destrói. [...]» (Esteiros)

(Fotografia de Luís Eme -Trafaria)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

As Fragatas e o Tejo...


"Olha o Tejo" recebe mais um poema meu...


As Fragatas e o Tejo

As Barcas maiores
são quase cobertas
pelas velas de lençol
que se agitam ao vento
e as levam pelo rio fora
sem qualquer lamento…

As barcas maiores
deixam-se levar
pelo sonho e pelo vento
fazendo sonhar os poetas
que as olham nas margens
e queriam tanto navegar…

[Luís Alves Milheiro]

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

domingo, 3 de fevereiro de 2019

"A Janella do quarto de trabalho..."


«A janella do quarto de trabalho deitava para o Tejo. No meio da verdura dos quintaes e das hortas resaíam as casas, que se aglomeravam pela encosta até á beira do rio. Os montes do outro lado.
Se a margem esquerda do Tejo fosse arborisada de pínheiraes, como é a do Douro, que aprasivel effeito não produziria no animo do viajante, que já vem maravilhado com a entrada da barra de Lisboa. 
A vista dilatava-se pelo espaçoso largo, descia pela encosta. ingreme, e espraiava-se pelas aguas transparentes do rio.
O gabinete de estudo era pequeno. No inverno aconchegado, agasalhado ou "confortável", como agora se diz. Na primavera e verão abria-se a grande janella, e arejava-o a brisa fresca do mar.
Uma janella que deita para o mar desafoga os pulmões e também a alma.»

                                                                             [Bulhão Pato, in "Sob os Ciprestes"]


(Fotografia de Luís Eme - Monte de Caparica)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O Tejo do Fernando, Pessoa (s)...


Fernando Pessoa escolheu Alberto Caeiro ("Guardador de Rebanhos"), um dos "reflexos do seu espelho", para nos falar do Tejo e também do Rio da sua Aldeia...

Começa assim:

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

E diz coisas tão simples como:

O Tejo desde de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.

E depois acaba assim:

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Olhas o Rio...


Já tinha falado na hipótese de criar mais um blogue, que tivesse como principal temática o Tejo, no "Largo".

Esta minha ideia deve-se à beleza do "Rio da Minha Aldeia", e também ao facto de ser o pano de fundo da maior parte das minhas fotografias.

Aliás, este blogue será também de fotografia (em princípio exclusivamente das minhas fotografias...). Fotografias essas que serão acompanhadas com transcrições de poemas e parágrafos de livros, que se inspiram no Tejo, da minha autoria e também de outros autores...

Abro este blogue com um poema meu, que de alguma forma se aproxima do título do blogue e se pode generalizar, ainda que tenha sido escrito em homenagem a Alexandre Castanheira, um escritor almadense, resistente antifascista, que foi um bom amigo...


Olhas o Rio

Olhas o rio com ternura,
Sentado, junto ao cais...

Foi daqui que partiste,
Para uma viagem
Quase sem destino...

Depois foram anos de luta,
Quase sempre “escondido”
No porão da barca vermelha
Que navegava de terra em terra,
Em busca da Liberdade sonhada...

Olhas o rio com saudade,
Sentado, junto ao cais...

Foi daqui que partiste...

[Luís Alves Milheiro]


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)