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terça-feira, 28 de outubro de 2025

"Uma paixão que me tira o fôlego..."


«Eu sou uma lisboeta naturalizada, não me entendam mal. Se alguém quiser mandar-me para a minha terra, não será para Lisboa. Mas tenho por esta cidade um amor daqueles que não se explicam, uma paixão que me tira o fôlego sempre que vejo uma nesga de Tejo a espreitar por uma viela. Fico sem ar quando estamos muito tempo longe e não consigo imaginar como é que alguém consegue gostar de viver noutro lugar.»

[Margarida Davim, “Visão”, 12 Set 25]

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, 28 de janeiro de 2024

"Écloga"

 

Écloga

Pastora, grácil, vieste,
sempre caminho do Sul...
E rosa brava, trouxeste,
nos cabelos, um agreste
céu azul...

Tu me encontraste, pastora,
velado, sem nenhum céu.
Mas agora um céu me doura
a vida que, muito embora,
se perdeu...

Era nas margens do Tejo...
(Nem noutras margens seria).
Sobre nós dois, o adejo
das gaivotas, num desejo
de alegria...

E não mudou o cenário
para pastor e pastora.
Mas o Fado, sempre vário, 
muda a história do cenário,
de hora a hora...

[...]

E condenaram-me a tanto:
viver, viver... e sem ti!
Vivendo sem no entanto
me ausentar daquele encanto
que perdi...

O Tejo, verde e correcto,
como no tempo passado...
Eu, porém, mais inquieto,
e, por este mal secreto,
- tão mudado!

[David Mourão-Ferreira, in "A Secreta Viagem"]

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

"O Meu Postal"


O meu Postal

Escrevi-te um postal
falei da tua outra Cidade
do Tejo que alinda o teu Ginjal,
que parece não ter idade.
Não esqueci as cores,
os cheiros e as gentes
reféns de histórias de amores
um tudo nada diferentes.

Escrevi-te um postal
chamei-te amigo inteiro
sem esquecer o teu sabor a sal
e teu ar sorridente de marinheiro.

Não esqueci o vento
do final da nossa tarde.

Guardo-te no meu pensamento
e no meu coração, que arde...

Laura Martinho

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)



sábado, 7 de março de 2020

O Tejo ao Fim da Tarde...


A tarde fugia e um Cacilheiro navegava no Tejo, com o olhar preso ao cais de Cacilhas.

Lembrei-me dos tempos em que ficava à tua espera, sem ter a certeza, se era aquele o cacilheiro, que te trazia de volta a casa...

Entretanto passaram mais de duas décadas e o mundo é ligeiramente diferente.

Ainda não havia telemóveis, nem dava muito jeito, fazer "sinais de fumo", de uma margem para a outra...

O comboio da ponte, o teu transporte de hoje, ainda era só um projecto...


(texto meu, de memória...)

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

"Amo-te Lisboa Virada ao Tejo"


Amores de e por Lisboa... de Rogério Martins Simões:


Amo-te Lisboa Virada ao Tejo

  
Dizem que um dia alguém cantou…
Que por amores Lisboa se perdeu!
Por amores se perde quem lá voltou.
De amores se perde quem lá nasceu.

Dizem que um dia alguém contou.
Que uma moira cativa no Tejo desceu.
Por amores, Lisboa, a moura libertou,
De amores, por Lisboa, a moira morreu.

Juntaram-se os telhados enfeitiçados,
Apertadinhos os dois e entrelaçados,
Num fado castiço, numa rua de Alfama.

E o Tejo, que é velho, beija a Cidade:
Morre-se de amor em qualquer idade,
Perde-se por Lisboa, quem muito ama!



(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)