Ainda assim, aparecem uns tantos na feira
do livro, a lavrar no parque. Negrejam aos picos no verde, dão-se a uns
desenfados de voejo breve, armados em superiores. Bonito bicho, de muita
inspiração literária. Ele é o Jean-Baptiste Clément, ele é o Junqueiro…
Não há melros num espaço fechado, num
armazém tristonho e esquadrinhado de encontrões sem sol. Todos os anos aquele
para-baixo e para-cima, os encontros de fulano e cicrano, as capas que
amadurecem de ano para ano, a luz explosiva de Lisboa, os revérberos, o Marquês
que medita, as frondes da avenida, o Tejo glauco a fechar as vistas.
Tenho estado em salões, por essa Europa. Salões, salas grandes, com o seu quê de fábrica e hangar. Em parte nenhuma há esta cor, esta brisa, este céu, esta extensão clara, esta alegria. Mude-se o que houver a mudar. O espaço, deixar estar».
[Mário de Carvalho, in "Os Livros no Parque"]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)