sábado, 11 de julho de 2020

"Um Número Mágico"...


Descubro em muitos jornais, grandes testemunhos de amor por Lisboa e pelo Tejo. Este foi do realizador João Botelho:


«Todos sabem que o número sete, o das colinas, é um número mágico, mas que culpa tenho eu que os deuses a dispusessem assim e lhe dessem um rio que é um verdadeiro mar, para reflectir o azul do céu de uma forma perfeita, inundando de luz única, não há outra igual no mundo, as casas que sobem as encostas. Ah! Quem me dera saber escrever sem adjectivos, mas é quase impossível fazê-lo quando se trata de Lisboa.»


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, 30 de junho de 2020

"Vou-me Embora para Além do Tejo"




Eu vou-me embora para além do Tejo,
não posso mais ficar!

Já sei de cor os passos de cada dia,
Na boca as mesmas palavras
batidas nos meus ouvidos...
- Ai as desgraças humanas destas paisagens iguais!...
Abro os olhos e não vejo

Já não ando, já não oiço...
Não posso mais...
Grita-me a Vida de longe
e eu vou-me embora para além do Tejo.

[Manuel da Fonseca]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

domingo, 21 de junho de 2020

Trafaria Hoje



Trafaria Hoje

Gostamos de alguns lugares
sem que exista uma razão aparente.

Trafaria é um desses lugares
talvez por nos oferecer uma beleza diferente...

Quando passeio nas suas ruas
ainda descubro vestígios da sua grandeza.

Olho as casas apalaçadas, quase nuas, 
com um misto de ternura e tristeza.

Da antiga praia não me apetece falar.
É sobretudo um estaleiro dos pescadores.

A areia suja e os barcos de pernas para o ar,
oferecem-nos um quadro cheio de desamores.

Sinto que o amanhã pode ser diferente,
talvez seja apenas uma ilusão.

Quero muito que o Tejo a Trafaria  e a sua gente
voltem a despertar a nossa paixão.


[Luís (Alves) Milheiro]


(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


domingo, 31 de maio de 2020

"O Fotógrafo da Névoa"


Mais uma homenagem  ao meu amigo, Fernando Barão, que nos deixou na passada segunda-feira, com um poema onde me inspiro no amante da fotografia, que adorava tirar retratos em dias com nevoeiro...
              
                                                                      (ao Fernando Barão)



O Fotógrafo da Névoa

Quando ouve a ronca do Farol
sente que o chamam no cais
para tirar retratos sem Sol
de belas paisagens fluviais

Prepara tudo com cuidado
a "kodak" é uma caixa de surpresas
que às vezes o deixa abismado
por o deixar fixar tantas belezas

A sua Isabel fica ao balcão
ele lá vai, atrás do nevoeiro
movido pela sua outra paixão.

Quem o olha, ali rente ao rio
ignora aquele artista de corpo inteiro
capaz de arrancar beleza até do vazio.

[Luís (Alves) Milheiro]


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

segunda-feira, 25 de maio de 2020

"Aquelas Praias"


Hoje abro uma excepção fotográfica e publico juntamente com o poema "Aquelas Praias", de Fernando Barão, uma sua fotografia da "Praia das Lavandeiras", que faz jus ao nome, no Ginjal (praia onde hoje se encontra o restaurante "Atira-te ao Rio").

É a homenagem a um amigo, que partiu hoje...

Aquelas Praias

Éramos como bandos de pardais livres como o vento. 
- Até as gaivotas deveriam ficar enciumadas -
Logo, a baixas horas,  os caminhos eram percorridos em tropel
O meio liquido estava ali à nossa vista para o regabofe
com as roupas que Deus nos ofereceu à nascença...
Margueira, Lavadeiras, Alfeite, refúgios dos que sabiam nadar
e dos que se agarravam à água...
Nos tempos frios a malta ficava nostálgica, sem brilho, 
sem fulgor, sem aquele visionamento de horizontes azuis
que se alongavam até terras do Ribatejo.

(Fotografia de Fernando Barão - Ginjal)


terça-feira, 19 de maio de 2020

«Porque me chamam Gaivota?»


Maria Rosa Colaço em 1982 publicou um conto sobre o "Gaivota", com o mesmo título. "Gaivota" era um rapazola de Cacilhas, que cresceu paredes meias com o Tejo. Deixo aqui uma pequena transcrição, onde ele esboça a sua "história de vida"...

«[...] Porque me chamam "Gaivota"?
Está mesmo a ver-se... Tenho passado entre os barcos e o Tejo, em cima deste paredão, correndo e escorregando nestas pedras húmidas, mais de metade da minha vida: às vezes, até a pele me sabe a sal.
Ando nisto desde que o meu pai morreu; ajudo um e outro, vendo jornais, pensos, aprendo bocados de palavras de outras terras; invento ruas de outros países quando vejo os estrangeiros de cabelos amarelos e  dinheiro nos bolsos, a comer camarão e lagosta: vivo!
Como tenho a mania de andar em cima desta parede, de asas abertas, como as gaivotas, um dia começaram a chamar-me "Gaivota" e "Gaivota" fiquei. O meu nome é Alfredo. Mas isso não interessa porque ninguém o sabe e Gaivota, afinal, é o que eu queria ser. De verdade, pois! Asinhas a dar-a-dar; peixinho fresco e, lá em cima, lá em cima no vento, no azul, avião-sem-motor, namorado das ondas, sol morno nas costas, dono do Tejo, dono de mim, bicho livre! [...]»

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

domingo, 10 de maio de 2020

"Descobrir Lisboa e a Luz Vinda do Rio-Mar..."


Hoje publico o conselho dado pelo realizador José Fonseca e Costa, que já nos deixou, em 2010, nas páginas do "Público":

«Aprendam a descobrir Lisboa e a luz vinda do rio-mar em que a cidade se deixa envolver, este rio Tejo misteriosamente aberto num mar mediterrâneo à sua frente, um mar que começa no mais belo cais com que uma cidade ao mar se possa juntar, o Cais das Colunas – nossa “Saudade de Pedra”.»
   
                         
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, 25 de abril de 2020

"Muito Tejo"


Porque hoje é mais Abril que ontem, mais um poema e uma imagem da minha exposição, "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras"...

Muito Tejo

Esta podia ser
a barca de "MUITO TEJO"
que o poeta Ary popularizou
entre muitos poemas e canções
como as "Portas que Abril Abriu"
um hino de todas as revoluções...


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


sexta-feira, 24 de abril de 2020

"Janela da Liberdade"



Em 2014, fiz uma exposição de fotografia ilustrada, com Cravos e muito Abril e algum Tejo, que lhe chamei, "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras", e que esteve patente no "Espaço Doces da Mimi", em Abril.

             Janela da Liberdade


    Olho a JANELA DA LIBERDADE,
    sempre aberta de par em par
    vejo o Tejo, a Ponte e a Cidade,
    hoje que estou com todo o tempo
    do mundo para sonhar…


(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, 22 de abril de 2020

"A vista corre, lés a lés deste vasto cenário..."


No meu trabalho de pesquisa encontrei um texto sobre o Tejo, que é de tal forma abrangente, que percorre quase mais do que a nossa vista alcança, num dos muitos miradouros, da banda de cá e da banda de lá. Embora o texto de Jaime Cortesão tenha sido publicado no já desaparecido "O Jornal", penso que deveria ser uma transcrição, de um qualquer artigo sobre Lisboa, publicado anteriormente.


[...] «Para lá deste tumulto de formas e cores, rasga-se em frente a enseada azul do Tejo, tão ampla e tamisada de tons que logo funde tudo e mais em seu esplendor e vastidão.
A vista corre, lés a lés deste vasto cenário, desde a barra e o mar até às vastas lezírias do Ribatejo, que já mal se lobrigam ao nascente. Entre a barra e o portal de Cacilhas, apertado a sul pelas colinas baixas da Trafaria, Lazareto e Almada, estende-se o canal do rio, dum azul intenso e concentrado. Logo, e de chofre, o Tejo abre a enseada imensa, que mais diríamos um lago, tão remansoso e fechado nos fica a toda a volta. Para lá do pontal, mais abrigada, a enseada do Alfeite espelha as águas límpidas e quietas dum azul leitoso.» [...]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

terça-feira, 14 de abril de 2020

Olhar Solitário



Olhar Solitário

Nestes tempos malucos
não posso ir a muitos lugares.
Quase ninguém pode...

Mas há alguns dias,
que quase que fujo.
(sem ninguém ver)
e subo até ao Jardim do Castelo.

Gosto de olhar o Tejo 
e as outras coisas, cá de cima.
Vou com o olhar 
até ao Terreiro do Paço, 
depois passo por Alcântara, 
Belém e Trafaria.

Quando regresso
fico-me pelo Ginjal.

E foi ao olhar o cais
que te descobri
e quase "inventei"a  tua história.
Sim, lias poesia e fazias um filme,
para depois enviares, 
para longe e para perto,
com o cheiro do Tejo...

Luís (Alves) Milheiro

(legenda poética de uma fotografia que tirei no sábado)


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, 5 de abril de 2020

"Habituei-me a ver o Tejo, ao fim da tarde..."


O Tejo não inspira apenas poemas, há também quem o misture dentro das suas crónicas, como aconteceu com Maria Filomena Mónica, no "Expresso" (Agosto de 2013)


«[...] Gosto do rio que corre na minha cidade, porque através dele se chega ao mundo. Durante cinco infelizes anos trabalhei num gabinete no Terreiro do Paço, no edifício que faz esquina com a Rua do Ouro. Habituei-me a ver o Tejo, ao fim da tarde, atravessado por cacilheiros que partiam para a outra banda. Ainda hoje, sempre que desço à zona ribeirinha, sinto a melancolia que, aos 21 anos, me enchia a alma. [...]»

                      
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)