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quarta-feira, 20 de agosto de 2025

A "Marcha de Belém"

 

"Marcha de Belém" (2025)

Lisboa tem a cor de uma saudade
 Que canta quando brilha o nosso Tejo
 Lisboa é a dor de uma ansiedade
Que quando não te vê, rouba-te um beijo
E olhando de mansinho a noite escura 
Passando a cidade em sobressalto 
Salpicando a cidade de outras cores 
No preto e banco do chão de basalto
[...]

Henrique Vales


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

"Menina dos Olhos de Água"


Menina dos Olhos de Água


Menina, em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar.
Menina, em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar.


Menina, em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar.

Se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar.

Aprendi nos "esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol.
Tenho um rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo.

Aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris.
És um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi.

Se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar ...
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar.


[Pedro Barroso, in álbum "Cantos da Borda d'água"]


(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, 8 de dezembro de 2019

As "Canoas do Tejo"...


As "Canoas do Tejo", é um excelente poema, escrito para fado por Frederico de Brito e popularizado pela excelente voz de Carlos do Carmo...


Canoas do Tejo
  

Canoa de vela erguida,
Que vens do Cais da Ribeira,
Gaivota, que anda perdida,
Sem encontrar companheira

O vento sopra nas fragas,
O Sol parece um morango,
E o Tejo baila com as vagas
A ensaiar um fandango

Canoa,
Conheces bem
Quando há norte pela proa,
Quantas docas tem Lisboa,
E as muralhas que ela tem


Canoa,
Por onde vais?
Se algum barco te abalroa,
Nunca mais voltas ao cais,
Nunca, nunca, nunca mais

Canoa de vela panda,
Que vens da boca da barra,
E trazes na aragem branda
Gemidos de uma guitarra

Teu arrais prendeu a vela,
E se adormeceu, deixá-lo
Agora muita cautela,
Não vá o mar acordá-lo

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A "Gaivota" do O'Neill...


O poema "Gaivota" de Alexandre O' Neill é conhecido sobretudo como "letra" de fado. Cantado inicialmente pela Amália, com arranjos musicais de Alain Oulman, acabaria por  ser interpretado por dezenas fadistas, como foram os casos de Carlos do Carmo ou de Cristina Branco.

Em 2009 a "Gaivota" de O'Neill voltaria a estar na "moda", graças a um grupo de músicos (quase todos dos Gift...) que criaram o  grupo "Amália Hoje", para homenagear a nossa fadista maior, com a voz de Sónia Tavares. 

Embora este poema não fale directamente do Tejo, fala do céu de Lisboa e de um "mar" que só pode ser o "melhor rio do mundo"...


Gaivota

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração

No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.
[...]

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

domingo, 10 de março de 2019

"Um Homem na Cidade"


José Carlos Ary dos Santos foi (e é...) um grande poeta de Lisboa e do Tejo.

Escreveu algumas das nossas mais bonitas canções e fados, cantados especialmente por Carlos do Carmo, Fernando Tordo, Tonicha e Simone de Oliveira.

Um Homem na Cidade, é um deles, do qual deixo aqui três  estrofes:

[...]
Vou pela rua
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que se desagua no Rossio.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amor à liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.
[...]


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)