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quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

"Fragatas"

  


Eram casinhas ponteagudas
movidas pela associação do vento com os panos.
Deslizavam formando pequenos relevos alvos
que se desdobravam nas águas azuis, ainda límpidas.
Havia alegria nos que habitavam as embarcações, 
alegria que se transmitia à passagem coalhada
de gémeas de muitas cores.
Só as velas eram brancas.
- Mas as gaivotas também!
E os vôos altaneiros, com piares de entendimentos
eram a vocação de sentinelas felizes
que sentiam a plenitude poética deste Tejo.


[Fernando Barão, "In Margem Sul"]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


Nota: Porque hoje é dia de homenagear este Amigo, recordo aqui um dos seus poemas com Tejo, barcas e gaivotas...


domingo, 31 de maio de 2020

"O Fotógrafo da Névoa"


Mais uma homenagem  ao meu amigo, Fernando Barão, que nos deixou na passada segunda-feira, com um poema onde me inspiro no amante da fotografia, que adorava tirar retratos em dias com nevoeiro...
              
                                                                      (ao Fernando Barão)



O Fotógrafo da Névoa

Quando ouve a ronca do Farol
sente que o chamam no cais
para tirar retratos sem Sol
de belas paisagens fluviais

Prepara tudo com cuidado
a "kodak" é uma caixa de surpresas
que às vezes o deixa abismado
por o deixar fixar tantas belezas

A sua Isabel fica ao balcão
ele lá vai, atrás do nevoeiro
movido pela sua outra paixão.

Quem o olha, ali rente ao rio
ignora aquele artista de corpo inteiro
capaz de arrancar beleza até do vazio.

[Luís (Alves) Milheiro]


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

segunda-feira, 25 de maio de 2020

"Aquelas Praias"


Hoje abro uma excepção fotográfica e publico juntamente com o poema "Aquelas Praias", de Fernando Barão, uma sua fotografia da "Praia das Lavandeiras", que faz jus ao nome, no Ginjal (praia onde hoje se encontra o restaurante "Atira-te ao Rio").

É a homenagem a um amigo, que partiu hoje...

Aquelas Praias

Éramos como bandos de pardais livres como o vento. 
- Até as gaivotas deveriam ficar enciumadas -
Logo, a baixas horas,  os caminhos eram percorridos em tropel
O meio liquido estava ali à nossa vista para o regabofe
com as roupas que Deus nos ofereceu à nascença...
Margueira, Lavadeiras, Alfeite, refúgios dos que sabiam nadar
e dos que se agarravam à água...
Nos tempos frios a malta ficava nostálgica, sem brilho, 
sem fulgor, sem aquele visionamento de horizontes azuis
que se alongavam até terras do Ribatejo.

(Fotografia de Fernando Barão - Ginjal)