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terça-feira, 31 de maio de 2022

Quando se sente demais...


Volto a Bernardo Soares e ao "Livro do Desassossego" neste final e Maio...

[...] Muita vez me tem sucedido querer atravessar o rio, estes dez minutos do Terreiro do Paço a Cacilhas. E quase sempre tive como que a timidez de tanta gente, de mim mesmo e do meu propósito. Uma ou outra vez tenho ido, sempre opresso, sempre pondo somente o pé em terra de quando estou de volta.

Quando se sente de mais, o Tejo é Atlântico sem número, e Cacilhas outro continente, ou até outro universo.  [...]


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, 27 de março de 2020

"Amo o Tejo..."



«[...] Nada disso me interessa, nada disso desejo. Mas amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da Baixa. Nada o campo ou a natureza me pode dar que valha a majestade irregular da cidade tranquila, sob o luar, vista da Graça ou de São Pedro de Alcântara. Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa. [...]»

[Bernardo Soares, in "Livro do Desassossego"]


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)