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terça-feira, 11 de março de 2025

"Lisboa na vertente luminosa não mudou"

«A mesma luz branca de Lisboa imortalizada pelo realizador suíço Alain Tanner continua a banhar a cidade, reflectida pelo rio e espelhada no seu casario. Se hoje chegasse a Portugal o marinheiro, personagem principal do filme de Tanner, talvez ainda fosse vítima de roubo e agressão e com um pouco de sorte encontraria Rita a criada de quarto com um diamante negro entre as pernas e viveria as mais belas cenas eróticas da sua paragem na cidade branca.

Lisboa na vertente luminosa não mudou. Mas alterou e muito a sua componente sociológica e tornou-se uma cidade mais caótica e desregulada que a Lisboa de Tanner dos anos 80 do século passado.

Quem vive em Lisboa, ou quem a visita e a percorre de carro ou a atravessa a pé, nota as diferenças com bastante facilidade. Entram, diariamente, cerca de 400 mil carros que se juntam aos 200 mil que existem na capital.»


                                                           [António Capinha, “D. Notícias”, 07 Mar 25]


(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

O Rio encantador e matreiro...


«Rio Tejo. A calma que transparece o fascínio dos seus contornos, margens e adornos são um verdadeiro encanto. Uma espécie de hipnotismo que não tem outra função senão a de esconder um ser matreiro, ardiloso, traiçoeiro e implacável, capaz de transformar num inferno a vida de quem tem o azar de nele se perder. É esta a face do rio que nos mostra o realizador José Nascimento em Tarde Demais, com estreia agendada para a próxima sexta-feira, 31.»

[José Paulo Vieira, "Visão (sete)", 30 Mar 99]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)



quarta-feira, 30 de novembro de 2022

O Tejo Azul do Sul...

«Há o Tejo, que a todos reflectem; tanto Tejo azul em plataforma de riscos a debruar Lisboa, o Tejo que “Recordações da Casa Amarela” (João César Monteiro) já libertara.

Zéfiro, não pertencendo ao grupo das encomendas horárias, retrata com amor todo o Sul (e Lisboa é Sul no seu soprar), mostrando aldeias, desperdícios industriais, a poesia abandonada do Seixal, uma estrada a encher-se com um camião de bandeiras já é arquitectura. Fica-nos uma terrível vontade de captar para sempre nos olhos cheios aquele enamoramento; que sabemos guardado numa cadência histórica.»

 

                                      [Manuel Graça Dias, “Público”, 16 de Setembro de 1994]