(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
(palavras e imagens do rio da minha aldeia, que por um mero acaso, também é o melhor rio do mundo...)
sábado, 7 de fevereiro de 2026
"Dizia, orgulhosamente, que devia ser o único lisboeta que jamais saíra da sua cidade..."
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
A noite de Lisboa...
[Susana Fortes, in "Querido Corto Maltese"]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
segunda-feira, 30 de setembro de 2024
"Os Montes Claros"...
[José Rodrigues dos Santos, in "Um Milionário em Lisboa"]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
quarta-feira, 25 de setembro de 2024
"A larga bacia resplandecente do Tejo"
[José Rodrigues dos Santos, in "Um Milionário em Lisboa"]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
sexta-feira, 26 de julho de 2024
"Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto"
«Vitorino emagreceu, o bigode foi-se-lhe
tornando todo branco. Um belo dia, juntou-se com Vera Quitério, no velho
apartamento das Avenidas, e passou também a dizer "era bom que trocássemos umas
ideias sobre o assunto".
Uma ocasião, Jorge Matos encontrou-o e
dirigiu-lhe pela quinquagésima vez a pergunta que todos os comunistas de todo o
Mundo já se fizeram, no íntimo, pelo menos quatrocentas vezes: "que significa
ser comunista, hoje?". Vitorino recolheu-se, sisudo, durante um momento
brevíssimo. Depois, abriu um sorriso jovial, de orelha a orelha, e deu-lhe uma
palmada sonora nas costas: "É pá, tem calma, pá!", disse.
E o Tejo continuou a correr, e os tempos a
não haver meio de os parar.»
[Mário de Carvalho in "Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto"]
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
terça-feira, 19 de março de 2024
Queria embarcar num cacilheiro e navegar..."
Voltava a sentir um desejo avassalador de percorrer as ruas de Lisboa e olhar ninfas que prometiam coisas que nunca cumpriam. Parar em esplanadas carregadas de inúteis que apenas sabiam contar anedotas com barbas e conversar sobre o tempo. Queria embarcar num cacilheiro e navegar no rio grande que transformava a capital numa ilha.»
[Luís Alves Milheiro, in "Bilhete para a Violência"]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
sexta-feira, 20 de outubro de 2023
"Às vezes, ao fim da tarde..."
[Maria Judite de Carvalho, in "tanta gente Mariana..."]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
domingo, 21 de novembro de 2021
"Voltar à Infância"
«Quando apanhou o cacilheiro no Cais Sodré e se viu no meio do rio, recordou-se da meninice passada rente ao Tejo, nas brincadeiras diárias que fazia ao longo do Ginjal com os amigos, por entre os operários das várias indústrias que davam vida aquele lugar tão aprazível.
Vieram-lhe à memória dois ou três rostos de amigos mais chegados. O que seria deles, vinte e muitos anos depois? Talvez não os reconhecesse às primeiras, sabia o quanto a vida gostava de nos mudar por dentro e por fora...
Deixou as pessoas irem saindo, enquanto olhava pela janela do cacilheiro o que podia ver de Cacilhas e do Ginjal. Depois desceu as escadas e saiu calmamente para terra. Primeiro espreitou o Ginjal. Estranhou ser recebido por placas informativas colocadas pelo Município, que eram no mínimo alarmantes, pois identificavam várias casas e armazéns em perigo de ruir. Ficou com uma vontade enorme de seguir por aquele caminho quase proibido, mas ao olhar o relógio, achou que era melhor ideia este passeio ficar para depois do almoço.
Percorreu com alguma emoção o Largo de Cacilhas e depois entrou na Rua Cândido dos Reis. Olhou para os vários restaurantes, ainda sem se decidir onde iria comer uma caldeirada de peixe. Tinha prometido a si mesmo só parar rente ao número 27.»
(começo de um texto inédito escrito no final do século XX)
[Luís (Alves) Milheiro]
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
quarta-feira, 26 de maio de 2021
"Sonhos Cor de Água"
«[...] Enquanto esperava, calmamente, pelo
cacilheiro, ficou com a sensação que aquele largo que, fora nos anos oitenta o
maior centro de circulação de pessoas e transportes da Europa, estava cada vez
mais calmo. Tudo graças ao comboio da ponte...
Uns metros mais à frente descobriu uma
cara conhecida, Pedro Sempre, outro herói das suas crónicas mundanas.
Pedro era um velho contador de histórias
que passava parte dos seus dias fundeado num banco de madeira, assistindo ao
cair da tarde rente ao seu Tejo.
Quem quisesse ouvir qualquer aventura do
mundo só precisava de se sentar e escutar com atenção, a sua voz pausada, o
melhor bilhete para uma mão cheia de viagens, extraordinárias, pelo Ocidente e
Oriente, que se tentavam aproximar das de Fernão Mendes Pinto.
À medida que falava, o velho fazia festas
ao Banzé, o seu companheiro de sempre, um cão escanzelado que lhe aquecia os
pés e a alma, escondendo com o seu pelo deslavado, os buracos dos sapatos
gastos, com ar de quem já dera mais que uma volta ao mundo [...]»
[Parte do conto "Sonhos Cor de
Água", in "Um Café com Sabor Diferente", de Luís Alves
Milheiro]
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
quinta-feira, 13 de maio de 2021
"Dava Grandes Passeios com o Avô..."
Continuando com as primeiras publicações no "Casario do Ginjal", uma transcrição do meu primeiro e único romance, publicado em 1995, com o Tejo e o Ginjal:
« [...] Quis recordar-se da sua primeira visita ao Oceano Atlântico, não conseguiu qualquer imagem. Devia ser demasiado pequeno. Ter vivido sempre paredes-meias com o Tejo não ajudou muito, o rio foi o seu primeiro mar. Dava grandes passeios com o avô pela estrada marginal do Ginjal. O velho Vasco Gama falava-lhe do tempo dos golfinhos e dos homens que nadavam até Lisboa. Os seus olhos brilhavam quase encantados, seguindo o voo das gaivotas e escutando aquelas palavras mágicas, acompanhadas pelo marulho leve das águas que lavavam as paredes da pedra do cais e eram mais que música de fundo [...].»
[In "Bilhete para a Violência", de Luís Alves Milheiro]
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
sábado, 1 de agosto de 2020
"A Marca"...
O livro de contos "Nasci com Passaporte de Turista", de Alves Redol, como não podia deixar de ser, visita o Tejo, mais escondido e amargo, que ele conheceu tão bem, rente à sua Vila Franca de Xira e a outras terras próximas.
terça-feira, 19 de maio de 2020
«Porque me chamam Gaivota?»
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
A Impressão de se Morar num Romance...
António Lobo Antunes na sua estreia literária, com a "Memória do Elefante", foca Lisboa e o Tejo de uma forma peculiar:
domingo, 27 de outubro de 2019
"Uma Gaivota com Óculos"
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
Querer Atravessar o Rio...
[Bernardo Soares, In "Livro do Desassossego"]
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
domingo, 7 de abril de 2019
O Tejo, Romeu, Almada e Lisboa...
Ele que viveu parte da infância e adolescência no Cais de Ginjal, quase dentro do "Melhor Rio do Mundo"...