(palavras e imagens do rio da minha aldeia, que por um mero acaso, também é o melhor rio do mundo...)
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
Retrato breve de Filipa em Vila Franca
quinta-feira, 21 de março de 2024
"Lisboa Pequenina"
Lisboa Pequenina (fado)
Oh, Lisboa pequenina
és um pregão de varina
a menina dos meus olhos
põe-me um braço na cintura
dá-me um beijo com ternura
veste uma saia de folhos
Pus no dedo uma aliança
mandei vir uma criança
que é filha da Madragoa
outra linda assim não vejo
fui baptizá-la no Tejo
dei-lhe o nome de Lisboa
[…]
Tiago Torres da Silva
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
terça-feira, 11 de julho de 2023
"Tornaremos a atravessar o rio"...
[extraído de um dos capítulos do romance "Levantado do Chão" do nosso Nobel, José Saramago]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
terça-feira, 31 de maio de 2022
Quando se sente demais...
[...] Muita vez me tem sucedido querer atravessar o rio, estes dez minutos do Terreiro do Paço a Cacilhas. E quase sempre tive como que a timidez de tanta gente, de mim mesmo e do meu propósito. Uma ou outra vez tenho ido, sempre opresso, sempre pondo somente o pé em terra de quando estou de volta.
Quando se sente de mais, o Tejo é Atlântico
sem número, e Cacilhas outro continente, ou até outro universo. [...]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
quarta-feira, 26 de maio de 2021
"Sonhos Cor de Água"
«[...] Enquanto esperava, calmamente, pelo
cacilheiro, ficou com a sensação que aquele largo que, fora nos anos oitenta o
maior centro de circulação de pessoas e transportes da Europa, estava cada vez
mais calmo. Tudo graças ao comboio da ponte...
Uns metros mais à frente descobriu uma
cara conhecida, Pedro Sempre, outro herói das suas crónicas mundanas.
Pedro era um velho contador de histórias
que passava parte dos seus dias fundeado num banco de madeira, assistindo ao
cair da tarde rente ao seu Tejo.
Quem quisesse ouvir qualquer aventura do
mundo só precisava de se sentar e escutar com atenção, a sua voz pausada, o
melhor bilhete para uma mão cheia de viagens, extraordinárias, pelo Ocidente e
Oriente, que se tentavam aproximar das de Fernão Mendes Pinto.
À medida que falava, o velho fazia festas
ao Banzé, o seu companheiro de sempre, um cão escanzelado que lhe aquecia os
pés e a alma, escondendo com o seu pelo deslavado, os buracos dos sapatos
gastos, com ar de quem já dera mais que uma volta ao mundo [...]»
[Parte do conto "Sonhos Cor de
Água", in "Um Café com Sabor Diferente", de Luís Alves
Milheiro]
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)