[Margarida
Davim, “Visão”, 12 Set 25]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
(palavras e imagens do rio da minha aldeia, que por um mero acaso, também é o melhor rio do mundo...)
[Margarida
Davim, “Visão”, 12 Set 25]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
«A mesma luz branca de Lisboa imortalizada pelo realizador suíço Alain Tanner continua a banhar a cidade, reflectida pelo rio e espelhada no seu casario. Se hoje chegasse a Portugal o marinheiro, personagem principal do filme de Tanner, talvez ainda fosse vítima de roubo e agressão e com um pouco de sorte encontraria Rita a criada de quarto com um diamante negro entre as pernas e viveria as mais belas cenas eróticas da sua paragem na cidade branca.
Lisboa na vertente luminosa não mudou. Mas
alterou e muito a sua componente sociológica e tornou-se uma cidade mais
caótica e desregulada que a Lisboa de Tanner dos anos 80 do século passado.
Quem vive em Lisboa, ou quem a visita e a
percorre de carro ou a atravessa a pé, nota as diferenças com bastante
facilidade. Entram, diariamente, cerca de 400 mil carros que se juntam aos 200
mil que existem na capital.»
[António
Capinha, “D. Notícias”, 07 Mar 25]
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
[José Paulo Vieira, "Visão (sete)", 30 Mar 99]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
[parte inicial de uma das memoráveis crónicas de Maria Judite de Carvalho, imortalizadas no livro, "Este Tempo", datada de Dezembro de 1974]
Nota: Como disse noutra transcrição das palavras da Maria Judite, felizmente já neste novo século conseguimos resgatar o Tejo, voltámos a ter as suas margens libertas, para todos nós o pudermos usufruir...
(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)
Este Tejo é, de facto, um rio abandonado pelos deuses dos rios. Está quase todo tapado, vedado, escondido, armazenado, por assim dizer, lá para o fundo da cidade. Fábricas, estaleiros, sei lá, tudo serve para que o não veja o lisboeta nem mesmo o turista - é bom não esquecer o turista, o sol e o céu azul não bastam para o atrair, é bom ajudar um pouco. E o Tejo... para o observarmos de perto temos de ir por aí fora para as bandas de Vila Franca, ou então desembocar da auto-estrada em Caxias, onde ele ainda não é mar mas também já não é rio.»
[parte inicial de uma das memoráveis crónicas de Maria Judite de Carvalho, imortalizadas no livro, "Este Tempo", datada de Junho de 1971]
Nota: Felizmente já neste novo século conseguimos resgatar o Tejo, voltámos a ter as suas margens libertas, para todos nós o pudermos usufruir...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)