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quinta-feira, 23 de julho de 2026

"Retrato de Amália"

 

Retrato de Amália
 
És filha de Camões filha de Inês
assassinada voz de portuguesa
cantando a nossa imensa pequenez
com laranjas e gomos de tristeza.
 
É no claro Mondego dos teus olhos
que se debruça o mal da nossa mágoa.
Ao Tejo dos teus gestos que se acolhe
o nosso coração a pulsar água.
 
Falando desatada de saudade
choras um povo cantas a balada
mais bonita que soa na cidade
de Lisboa por ti apaixonada.
 
José Carlos Ary dos Santos


(Fotografia de Luís Eme - Alcochete)


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Retrato do Povo de Lisboa



Retrato do Povo de Lisboa

[...]
É da voz do meu povo uma criança
semi-nua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.

Mas nunca se dói só quem a cantar magoa
dói-me o Tejo vazio dói-me a miséria
apunhalada na garganta.
Dói-me o sangue vencido a nódoa negra
punhada no meu canto.

[Ary dos Santos, in "Fotos-grafias"]


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Um Homem na Cidade (mais uma vez)...



[...]
À flor dum azulejo a cor do Tejo
e um barco antigo ainda por largar
distância que já não vejo
e enche Lisboa de infância
e enche Lisboa de mar.



[José Carlos Ary dos Santos, "Fado dos Azulejos" do disco "Um Homem na Cidade"]



(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, 10 de março de 2019

"Um Homem na Cidade"


José Carlos Ary dos Santos foi (e é...) um grande poeta de Lisboa e do Tejo.

Escreveu algumas das nossas mais bonitas canções e fados, cantados especialmente por Carlos do Carmo, Fernando Tordo, Tonicha e Simone de Oliveira.

Um Homem na Cidade, é um deles, do qual deixo aqui três  estrofes:

[...]
Vou pela rua
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que se desagua no Rossio.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amor à liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.
[...]


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)