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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Lisboa, Tejo e Carlos do Carmo


Carlos do Carmo que nos deixou no dia primeiro deste ano de dois mil e vinte e um, cantou Lisboa e o Tejo como muito poucos, porque sempre foi um apaixonado e um protector da sua (e nossa) Cidade. 

O facto de ter nascido e crescido na Bica, quase com o Tejo no final da rua, fez com que se deliciasse desde muito cedo com as mil e uma tonalidades que o Rio lhe oferecia, espelhando um céu, quase sempre azul...

Depois do casamento foi viver para as Avenidas Novas mas nunca deixou a Velha Lisboa, que amou e cantou com a cumplicidade dos nossos melhores poetas.

Deixamos aqui três testemunhos do seu amor pela Cidade e pelo Rio: 

«Eu tenho um olhar muito romântico sobre a cidade, e os olhares românticos são incuráveis, completamente incurável. E as mazelas e os seus defeitos, não é que os esconda, não lhes dou importância que provoquem infelicidade, sabe? Lisboa tem coisas tão boas, que eu deixo que no campeonato ela fique esses pontos todos à frente das coisas que estão mal feitas.»                              

«Lisboa é uma cidade sui generis. Há que ter apreço pelo trabalho de quem foi pondo a população virada para o rio, porque vivemos anos nesta coisa sombria, de costas para o Tejo. Isto deu luz à cidade. E o português é acolhedor, sem ser servil. Deixe-me circunscrever à minha cidade, sendo eu bairrista. Mas Lisboa tem uma luz imbatível. As pessoas ficam desvairadas. Os miradouros, os bairros antigos que são o pulsar de uma história de quase 900 anos. E tem uma autenticidade…» 

 «Durante muitos anos o Tejo foi-nos vedado. Hoje há casais a passear com as crianças à beira-rio. De cada vez que vou a uma esplanada junto ao Tejo penso que sou um privilegiado por viver numa cidade com este rio e com esta luz.» 

Nota: Frases retiradas de entrevistas publicadas do Diário de Notícias de 9 de Setembro de 2016  Notícias Magazine” de 23 de Julho de 2014 e “Tabú (Sol)” de 4 de Outubro de 2008.


(Fotografia de Luís Eme - Tejo e Lisboa)


domingo, 8 de dezembro de 2019

As "Canoas do Tejo"...


As "Canoas do Tejo", é um excelente poema, escrito para fado por Frederico de Brito e popularizado pela excelente voz de Carlos do Carmo...


Canoas do Tejo
  

Canoa de vela erguida,
Que vens do Cais da Ribeira,
Gaivota, que anda perdida,
Sem encontrar companheira

O vento sopra nas fragas,
O Sol parece um morango,
E o Tejo baila com as vagas
A ensaiar um fandango

Canoa,
Conheces bem
Quando há norte pela proa,
Quantas docas tem Lisboa,
E as muralhas que ela tem


Canoa,
Por onde vais?
Se algum barco te abalroa,
Nunca mais voltas ao cais,
Nunca, nunca, nunca mais

Canoa de vela panda,
Que vens da boca da barra,
E trazes na aragem branda
Gemidos de uma guitarra

Teu arrais prendeu a vela,
E se adormeceu, deixá-lo
Agora muita cautela,
Não vá o mar acordá-lo

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A "Gaivota" do O'Neill...


O poema "Gaivota" de Alexandre O' Neill é conhecido sobretudo como "letra" de fado. Cantado inicialmente pela Amália, com arranjos musicais de Alain Oulman, acabaria por  ser interpretado por dezenas fadistas, como foram os casos de Carlos do Carmo ou de Cristina Branco.

Em 2009 a "Gaivota" de O'Neill voltaria a estar na "moda", graças a um grupo de músicos (quase todos dos Gift...) que criaram o  grupo "Amália Hoje", para homenagear a nossa fadista maior, com a voz de Sónia Tavares. 

Embora este poema não fale directamente do Tejo, fala do céu de Lisboa e de um "mar" que só pode ser o "melhor rio do mundo"...


Gaivota

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração

No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.
[...]

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Um Homem na Cidade (mais uma vez)...



[...]
À flor dum azulejo a cor do Tejo
e um barco antigo ainda por largar
distância que já não vejo
e enche Lisboa de infância
e enche Lisboa de mar.



[José Carlos Ary dos Santos, "Fado dos Azulejos" do disco "Um Homem na Cidade"]



(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, 10 de março de 2019

"Um Homem na Cidade"


José Carlos Ary dos Santos foi (e é...) um grande poeta de Lisboa e do Tejo.

Escreveu algumas das nossas mais bonitas canções e fados, cantados especialmente por Carlos do Carmo, Fernando Tordo, Tonicha e Simone de Oliveira.

Um Homem na Cidade, é um deles, do qual deixo aqui três  estrofes:

[...]
Vou pela rua
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que se desagua no Rossio.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amor à liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.
[...]


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)