[Ana Eiró, in "A Luz de Lisboa"]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
(palavras e imagens do rio da minha aldeia, que por um mero acaso, também é o melhor rio do mundo...)
[Ana Eiró, in "A Luz de Lisboa"]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
Visita Guiada
a visita começou em
Cacilhas
a bonita terra dos
“orelhudos”
e de tantas outras
maravilhas
que não davam espaço a
sisudos
com a tua arte de contador
de histórias
falaste do Arrobas, do
Elias Garcia
e de tanta gente de
felizes memórias
utilizando alguns pós
de fantasia
depois vieram os
lugares mágicos
que não trouxeram
apenas encanto
focaste os
acontecimentos trágicos
salvos por um ou outro
“santo”
quando abriste a porta
dos restaurantes
sentimos o aroma das
belas caldeiradas
convocaste mais
personagens apaixonantes
que na tua voz se
tornaram encantadas
depois caminhámos em
direcção ao “Rio-Mar”
era ali que começava e
acabava o Ginjal
com tantas aventuras
para contar
e quase sem darmos por
isso, estávamos no Ponto Final
(Luís [Alves] Milheiro)
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
[...] «O Tejo contém em si toda a história da nacionalidade, desde a tomada de Lisboa aos mouros, até às descobertas; desde a nossa epopeia de conquistas pelo mundo além, até ao momento colonizador e até ao momento internacional presente.
O Tejo tem sido e será sempre a lombada do livro onde Camões escreveu o título da sua obra. Lombada, dum livro, digamos, cujas páginas se tem aberto só para um dos lados; lombado dum livro que os lisboetas não tem querido ler, reler, decorar, estimar e admirar largamente como merece, abrindo as suas folhas para um e outro lado, para uma e outra margem do rio.
Fugir do Tejo é fugir à contemplação, ao reviver de toda a história de Portugal, é fugir ao seu passado e ao seu presente; é tentar o retardamento do seu futuro.» [...]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
[...] «Vemos frequentemente discutidos o porto de Lisboa, os cais, a margem citadina pejada de depósitos de toda a natureza, oferecendo por vezes o espectáculo de estendal de sucatas.
O Porto de Lisboa... Meio porto, afinal lhe chamo eu, pois só se tem contado com a margem norte do Tejo, esquecendo que existe a margem sul, e que, enquanto a entrada do Tejo oferecer estes espectáculo de abandono, o porto de Lisboa dará sempre a impressão de pequenez miserável, resultante do desaproveitamento do natural conjunto das suas margens.» [...]
Nota: Infelizmente tivemos de esperar pelo século XXI para que as margens do rio fossem aproveitadas e devolvidas aos lisboetas e visitantes...
(Fotografia de Luís Eme - Porto Brandão)
Vamos transcrever as partes mais importantes da sua conferência "A Avenida da Margem Sul do Tejo e os Transportes do Tejo", proferida em Almada, em Março de 1933, graças ao Boletim "Almada na História" (19-20), por aqui:
«Antes de enfrentar o mar e para chegar naturalmente até ele, Lisboa deveria ter acompanhado o Tejo.
Tudo indicava que assim deveria ter sido; tudo indica que assim deverá, ainda, ser para o futuro.
O Tejo das descobertas, o Tejo porto de mar, o Tejo cais da Europa, o Tejo porto de pesca, o soberbo Tejo panorâmico, rodeado do lado Norte de suaves encostas, até Cascais, indicava na verdade, historicamente, artisticamente, e até higienicamente, a orientação da urbanização citadina.
E assim se teria atingido o mar com as novas avenidas, que lançadas para o interior, ficariam confinadas, sem as prespectivas, que pelas meias encostas, no sentido longitudinal, lhes eram oferecidas, pelo estuário soberbo, ou, já mais adiante, pela baía majestosa, pelo mar, em fim.» [...]
(Fotografia der Luís Eme - Olho de Boi)
Seu
apelido – Lisboa
É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata.
Na canastra, a caravela;
no coração, a fragata
Em vez de corvos, no xaile
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile
Baila no baile co’ o mar.
É de conchas o vestido;
tem algas na cabeleira;
e nas veias o latido
do motor de uma traineira.
E nas veias o latido
Do motor duma traineira
E nas veias o latido
Do motor duma traineira
Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio, Maria.
Seu apelido, Lisboa
Seu nome próprio - Maria
David Mourão-Ferreira
(Fotografia Luís Eme - Lisboa)
Nem me desagrada ver tantas barcas para cá e para lá. Talvez andem todos à procura da poesia que tu tens encontrado de tantos poetas...
Poesia que se encontra facilmente nas margens e no meio do Tejo...»
(Texto da Bela)
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
É por isso que não me importo de ficar aqui sentada, de olhos abertos, de olhos fechados, quase até ao fim do dia.
É como se estivesse a guardar dentro de mim todas estas tonalidades, entre o verde e o azul, deste rio, que é, de todos os que conheço, o mais parecido com um mar...»
(texto da Bela)
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
«Há o Tejo, que a
todos reflectem; tanto Tejo azul em plataforma de riscos a debruar Lisboa, o
Tejo que “Recordações da Casa Amarela” (João César Monteiro) já libertara.
Zéfiro, não
pertencendo ao grupo das encomendas horárias, retrata com amor todo o Sul (e
Lisboa é Sul no seu soprar), mostrando aldeias, desperdícios industriais, a
poesia abandonada do Seixal, uma estrada a encher-se com um camião de bandeiras
já é arquitectura. Fica-nos uma terrível vontade de captar para sempre nos
olhos cheios aquele enamoramento; que sabemos guardado numa cadência
histórica.»
[Manuel
Graça Dias, “Público”, 16 de Setembro de 1994]
«Nasci em Lisboa, cresci em Lisboa e
provavelmente morrerei em Lisboa. Às vezes, quando estou fora, dou por mim a
ter saudades da cidade, da sua luz, das suas sombras, do seu Tejo.»
[Maria
Filomena Mónica, “Vida (O Independente)”, 15 Dec 95]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Este texto, talvez demasiado adjectivado, é de Pedro Cativelos, de um pedaço de uma entrevista/perfil feita a Camané e publicada na "Pública", a 20 de Abril de 2008.
Tem Tejo, tem gente e tem fado...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)