(Fotografia de Luís Eme - Boca do Vento)
(palavras e imagens do rio da minha aldeia, que por um mero acaso, também é o melhor rio do mundo...)
sábado, 27 de fevereiro de 2021
Teu Nome é "Desconhecida"...
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
"A presença liquida do Tejo faz parte da minha vida"
A presença liquida do Tejo faz parte da minha vida. É a minha auréola de graça desde a Ponte Vasco da Gama até ao Cristo-Rei que vejo ao lado duma ameia do Castelo de São Jorge...
O Tejo é agora um grande rio caudaloso de vinho que me atormenta...
Então à noite, oiço-o chamar-me...
É uivo de cacilheiro... Mugido de rebocador... Vozeirão de paquete...»
[Manuel da Silva Ramos, "O Sol da Meia Noite"]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa/ Tejo)
domingo, 31 de janeiro de 2021
O que o Tejo nos Dá...
As suas águas dão-nos a sensação de liberdade, de paz, que precisamos, nestes tempos de "guerra", cheio de "prisões" voluntárias e involuntárias...
Felizmente na minha margem (Sul), mais cinzenta, fechada e húmida, é possível caminhar, ainda que quase clandestinamente, ao lado do Tejo (também colocaram fitas a fechar alguns caminhos, mas muitas foram cortadas, em nome da "liberdade anarca"...), sem nos cruzarmos com muita gente.
(Fotografia de Luís Eme - Boca do Vento)
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
Lisboa, Tejo e Carlos do Carmo
O facto de ter nascido e crescido na Bica, quase com o Tejo no final da rua, fez com que se deliciasse desde muito cedo com as mil e uma tonalidades que o Rio lhe oferecia, espelhando um céu, quase sempre azul...
Depois do casamento foi viver para as Avenidas Novas mas nunca deixou a Velha Lisboa, que amou e cantou com a cumplicidade dos nossos melhores poetas.
Deixamos aqui três testemunhos do seu amor pela Cidade e pelo Rio:
«Eu tenho um olhar muito romântico sobre a cidade, e os
olhares românticos são incuráveis, completamente incurável. E as mazelas e os
seus defeitos, não é que os esconda, não lhes dou importância que provoquem
infelicidade, sabe? Lisboa tem coisas tão boas, que eu deixo que no campeonato
ela fique esses pontos todos à frente das coisas que estão mal feitas.»
«Lisboa é uma cidade sui generis. Há que ter apreço pelo trabalho de quem foi pondo a população virada para o rio, porque vivemos anos nesta coisa sombria, de costas para o Tejo. Isto deu luz à cidade. E o português é acolhedor, sem ser servil. Deixe-me circunscrever à minha cidade, sendo eu bairrista. Mas Lisboa tem uma luz imbatível. As pessoas ficam desvairadas. Os miradouros, os bairros antigos que são o pulsar de uma história de quase 900 anos. E tem uma autenticidade…»
«Durante muitos anos o Tejo foi-nos vedado. Hoje há casais a passear com as crianças à beira-rio. De cada vez que vou a uma esplanada junto ao Tejo penso que sou um privilegiado por viver numa cidade com este rio e com esta luz.»
Nota: Frases retiradas de entrevistas publicadas do Diário de Notícias de 9 de Setembro de 2016; Notícias Magazine” de 23 de Julho de 2014 e “Tabú (Sol)” de 4 de Outubro de 2008.
(Fotografia de Luís Eme - Tejo e Lisboa)
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
As "Lavadeiras" do professor Américo e do Tejo...
Provavelmente chamam-lhe a "praia dos restaurantes"... Mal eles sonham que bastava abrir uma pequena cova, na maré-baixa, para que daquela areia pouco límpida, brotasse água doce. Água que era aproveitada pelas mulheres de Almada e Cacilhas, para lavarem a sua roupa branca, que depois ficava ali a "corar", ao sol...
Atrás da história e da amizade, deixo-vos o poema, "Lavadeiras", de Américo Morgado, professor e amigo desta nossa margem, com saudades dos nossos cafés, sempre acompanhados por palavras simples e sábias...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
"Olhar o Tejo a pensar num verso de Pessoa"...
Numa entrevista ele falou do Tejo, numa situação muito especial (pelo lugar e pelo tempo que se vivia...), que transcrevo com a devida vénia:
«A única vez em que estive na [Rua]
António Maria Cardoso [sede da PIDE], no famoso terceiro andar, um andar de más
recordações para muita gente, estava um dia maravilhoso. Eu olhava o Tejo e
lembrava-me de um verso do Pessoa (já naquela altura). Vem um rapaz: “Ó Sr.
Dr., está em França. Não me pode arranjar lá um emprego?”. Isto não se
acredita. “Ó homem, você está aqui tão bem... Vão ao cinema e andam nos carros
eléctricos de borla.” Um bocado cínico da minha parte... Mas aquilo não era uma
brincadeira. Muita gente pagou caramente, eram militantes a sério.»
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
"Duas Sombras"
Parece que afinal não é.
Mudando de assunto, felizmente tenho alguns amigos que amam e escreveram sobre o Tejo, como é o caso do poeta Alberto Afonso, autor deste bonito poema:
(Foto de Luís Eme - Ginjal)
terça-feira, 17 de novembro de 2020
O Ginjal do Romeu (com o Rio)...
«Que sítio deslumbrante! Havia o lavadouro das mulheres, as escadinhas para o cais do Ginjal, e o rio e os barcos… O rio e os barcos sobretudo! E metia-lhe uma confusão de encantar aquela enorme massa de água assim toda junta – porque tão depressa aquilo parecia estar no seu devido lugar, como ser um comprido pano azul ligado ao próprio céu.»
[Romeu Correia, in "Os Tanoeiros"]
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
domingo, 25 de outubro de 2020
O Primeiro Olhar...
Foi também a primeira vez que atravessei o rio para a Outra Banda (para visitarmos o Cristo-Rei...). Tenho uma ligeira lembrança das janelas e dos bancos de madeira, envernizados, e também da "estrada" que a proa do cacilheiro deixava no Rio.
Atravessar o rio ao colo do meu pai, com os olhos presos à janela, deve ter ajudado a sentir-me seguro. Não me lembro, mas devo ter-me cruzado com uma ou outra fragata, com as velas ao vento, mais para o meio do rio, como era normal nesses já longínquos anos sessenta...
[Luís Alves Milheiro]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
"Perdida entre o Porto Brandão e a Trafaria"
Apanho o barco em Belém.
Não tenho destino. Tanto posso ficar no Porto Brandão como na Trafaria.
No meio do rio olho ambas as margens, com entusiasmo. À medida que vou chegando ao Porto Brandão, vou descobrindo alguns encantos e também algumas indústrias com torres fumarentas.
À última hora, desisto de desembarcar. Prefiro passar ao largo da "Torre Velha" e do "Asilo", que vão ser hotel de cinco estrelas. Ainda continuam deslumbrantes, lá no alto.
E sim, prefiro que sejam um hotel com estrelas, que ruínas, cada vez mais decadentes e perigosas.
Continuará a ser um lugar vistoso, que quase abraça o Tejo, lá do cimo da quase montanha...
[Ester Núncio]
(Fotografia Luís Eme - Porto Brandão)
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
"Sem Muros"
Mesmo quando existiam "muros invisíveis", até mesmo junto ao Cais de Sodré...
Gosto que o Tejo esteja "mais" em todo o lado, que além de Lisboa e de Almada, ele continue belo no Barreiro, no Seixal, em Alcochete ou em Vila Franca de Xira...
Gosto de olhar o rio na tua casa, mas também na da avó ou da do tio Quim.
E nenhum deles mora, felizmente, no bairro do "Picapau Amarelo", que uma política pequenina, inveja, ao ponto de querer ir para lá morar "ontem"...
[Ester Núncio]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)