Aos vinte e muitos poucos anos recordo que
boa parte dos amigos da "borga", com quem me aventurava na noite,
eram todos ligeiramente mais velhos que eu.
Estou a falar da primeira metade dos anos
oitenta. Há quase trinta anos...
Dentro da noite, conhecíamos algumas
mulheres, quase "aves nocturnas", que também escolhiam a quinta-feira
como espaço de diversão, escapando às enchentes do fim de semana.
Como ninguém tinha carro e gostávamos mais de
gastar dinheiro em cerveja que em táxis, esperávamos quase sempre pelo primeiro
barco da manhã.
Nem sempre estávamos em bom estado, mas como
éramos jovens, não custava nada fazer uma directa. O quase ligeiro peso dos
olhos era coisa pouca, mesmo quando com mais uns "quilos" depois do
almoço...
Esperávamos muitas vezes o barco à beira-mar,
a olhar o rio com a neblina matinal, quase sempre divertidos e sem esperar que
aparecesse ele rei dom Sebastião.»
[Luís Alves Milheiro, in "Largo da Memoria”, 16 Dec 11]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
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