(palavras e imagens do rio da minha aldeia, que por um mero acaso, também é o melhor rio do mundo...)
quinta-feira, 30 de maio de 2024
Canto Décimo - 144
quarta-feira, 29 de maio de 2024
Canto Décimo - 10
terça-feira, 30 de abril de 2024
"Peregrinação"
domingo, 28 de abril de 2024
"O Ribatejo"
As margens dos rios constituem a Leziria inundada pelas cheias, em cujos nateiros se semeia trigo, se plantam legumes e se desenvolvem prados naturais aproveitados na criação, em larga escala, de touros e cavalos. As touradas portuguesas nasceram aqui e o campino, sempre a cavalo, munido de longa vara com que sujeita os bois à manada. é um tipo humano inseparável desta paisagem rara,»
[Orlando Ribeiro, in "Terra Nossa"]
(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)
sábado, 30 de março de 2024
"Felizmente..."
Felizmente as palavras às vezes também diminuem,
o mar, por exemplo,
para caberem nele os náufragos e os rios.
Sobretudo o Tejo
do tamanho dos corpos das crianças
com a água dentro das sacolas
a aprenderem para sereias
com cantigas e rondas
no giroflé das areias.
Eram levadas em rebanhos
de chapeladas redondas
para a fraternidade dos comícios dos banhos.
Enquanto as mães de xaile,
felizes de sol salgado
assistiam ao baile
dos filhos com as ninfas ainda sem seios de ondas.
[José Gomes Ferreira, in "Poesia VI"]
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
quinta-feira, 28 de março de 2024
"Lembro-me de Repente..."
[Vergílio Ferreira, in "Em Nome da Terra"]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
quinta-feira, 21 de março de 2024
"Lisboa Pequenina"
Lisboa Pequenina (fado)
Oh, Lisboa pequenina
és um pregão de varina
a menina dos meus olhos
põe-me um braço na cintura
dá-me um beijo com ternura
veste uma saia de folhos
Pus no dedo uma aliança
mandei vir uma criança
que é filha da Madragoa
outra linda assim não vejo
fui baptizá-la no Tejo
dei-lhe o nome de Lisboa
[…]
Tiago Torres da Silva
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
terça-feira, 19 de março de 2024
Queria embarcar num cacilheiro e navegar..."
Voltava a sentir um desejo avassalador de percorrer as ruas de Lisboa e olhar ninfas que prometiam coisas que nunca cumpriam. Parar em esplanadas carregadas de inúteis que apenas sabiam contar anedotas com barbas e conversar sobre o tempo. Queria embarcar num cacilheiro e navegar no rio grande que transformava a capital numa ilha.»
[Luís Alves Milheiro, in "Bilhete para a Violência"]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024
"Fragatas"
Nota: Porque hoje é dia de homenagear este Amigo, recordo aqui um dos seus poemas com Tejo, barcas e gaivotas...
domingo, 25 de fevereiro de 2024
"Ficou ainda a música no ar..."
[Vergílio Ferreira, in "Em Nome da Terra"]
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
domingo, 28 de janeiro de 2024
"Écloga"
quinta-feira, 25 de janeiro de 2024
"Poema da Memória"
Poema da Memória
Havia no meu tempo
um rio chamado Tejo
que se estendia ao
Sol na linha do horizonte.
Ia de ponta a
ponta, e aos seus olhos parecia
exactamente um
espelho
porque, do que
sabia,
só um espelho com isso
se parecia.
De joelhos no
banco, o busto inteiriçado,
só tinha olhos
para o rio distante,
os olhos do animal
embalsamado
mas vivo
na vítrea fixidez
dos olhos penetrantes.
Diria o rio que
havia no seu tempo
um recorte
quadrado, ao longe, na linha do horizonte,
onde dois grandes
olhos,
grandes e ávidos,
fixos e pasmados,
o fitavam sem
tréguas nem cansaço.
Eram dois olhos
grandes,
olhos de bicho
atento
que espera apenas
por amor de esperar.
E por que não
galgar sobre os telhados,
os telhados vermelhos
das casas baixas
com varandas verdes
e nas varandas
verdes, sardinheiras?
Ai se fosse o da
história que voava
com asas grandes,
grandes, flutuantes,
e poisava onde bem
lhe apetecia,
e espreitava pelos
vidros das janelas
das casas baixas
com varandas verdes!
Ai que bom seria!
Espreitar não, que
é feio,
mas ir até ao
longe e tocar nele,
e nele ver os seus
olhos repetidos,
grandes e húmidos,
vorazes e inocentes.
Como seria bom!
Descaem-se-me as
pálpebras e, com isso,
(tão simples isso)
não há olhos, nem
rio, nem varandas, nem nada.
[António Gedeão in Poemas
Póstumos]
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)