Ainda assim, aparecem uns tantos na feira
do livro, a lavrar no parque. Negrejam aos picos no verde, dão-se a uns
desenfados de voejo breve, armados em superiores. Bonito bicho, de muita
inspiração literária. Ele é o Jean-Baptiste Clément, ele é o Junqueiro…
Não há melros num espaço fechado, num
armazém tristonho e esquadrinhado de encontrões sem sol. Todos os anos aquele
para-baixo e para-cima, os encontros de fulano e cicrano, as capas que
amadurecem de ano para ano, a luz explosiva de Lisboa, os revérberos, o Marquês
que medita, as frondes da avenida, o Tejo glauco a fechar as vistas.
Tenho estado em salões, por essa Europa. Salões, salas grandes, com o seu quê de fábrica e hangar. Em parte nenhuma há esta cor, esta brisa, este céu, esta extensão clara, esta alegria. Mude-se o que houver a mudar. O espaço, deixar estar».
[Mário de Carvalho, in "Os Livros no Parque"]
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Excelente artigo!
ResponderEliminarSe tiverem oportunidade, convido-vos também a visitar o meu blog: noite.blix.pt
Se o seguirem, terei todo o gosto em retribuir e seguir o vosso também. 😊
Obrigada!
There really is nothing quite like the Lisbon Book Fair outdoors. Those blackbirds totally own the place, strutting around like they run the park. Love the contrast with all those stuffy indoor European salons, too.
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