sábado, 22 de novembro de 2025

"No tempo em que éramos quase pobres..."


«No tempo em que éramos quase pobres, tinha poucos amigos da minha idade com carro.
Aos vinte e muitos poucos anos recordo que boa parte dos amigos da "borga", com quem me aventurava na noite, eram todos ligeiramente mais velhos que eu.
Estou a falar da primeira metade dos anos oitenta. Há quase trinta anos...
Dentro da noite, conhecíamos algumas mulheres, quase "aves nocturnas", que também escolhiam a quinta-feira como espaço de diversão, escapando às enchentes do fim de semana.
Como ninguém tinha carro e gostávamos mais de gastar dinheiro em cerveja que em táxis, esperávamos quase sempre pelo primeiro barco da manhã.
Nem sempre estávamos em bom estado, mas como éramos jovens, não custava nada fazer uma directa. O quase ligeiro peso dos olhos era coisa pouca, mesmo quando com mais uns "quilos" depois do almoço...
Esperávamos muitas vezes o barco à beira-mar, a olhar o rio com a neblina matinal, quase sempre divertidos e sem esperar que aparecesse ele rei dom Sebastião.»

[Luís Alves Milheiro, in "Largo da Memoria”, 16 Dec 11]


(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


domingo, 9 de novembro de 2025

"A minha primeira Cacilhas..."


A primeira vez que me recordo de ouvir falar de Cacilhas, foi nas páginas de um dos livros de leitura da escola primária.

Era um texto de algum escritor (tenho de investigar o caso...) que vinha acompanhado de uma imagem nocturna do Tejo, com um Cacilheiro a fazer a travessia e tinha como fundo as luzes da Outra Banda.

Não me lembro do conteúdo do texto, mas pela imagem que ficou gravada na minha cabeça, à distância de mais de meio século, penso que se devia falar do regresso a casa das muitas pessoas que trabalhavam em Lisboa e viviam na outra margem do Rio. 

Sim, a Cacilhas desse tempo, não fugia do epiteto de "dormitório da Capital", que continua actual...

[Luís Alves Milheiro, in "Casario do Ginjal", 04 Nov 25]

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)